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“A decisão política de distribuir o kit anti-homofobia está tomada”, diz secretário do MEC

Na tarde desta terça-feira (17), houve grande momento de tensão durante a segunda parte do VIII Seminário LGBT, realizado na Câmara dos Deputados, em Brasília. O deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) surgiu no saguão da Câmara e começou a atacar o encontro, os parlamentares simpatizantes e a comunidade LGBT.

O foco da crítica de Bolsonaro: os kits anti-homofobia que serão distribuídos nas escolas da rede estadual pelo Ministério da Educação (MEC). Deputados ligados à bancada religiosa ameaçaram engessar o governo caso não derrubasse a iniciativa.

Fábio Meirelles, coordenador de Direitos Humanos no MEC, disse que o ministério "responde trabalhando" e que o ministro Fernando Haddad não iria se pronunciar até o material ficar pronto.

De acordo com Meirelles, o MEC tem respondido institucionalmente aos deputados e senadores. "Vários parlamentares pedem explicações para a nossa secretaria e nós enviamos respostas técnicas a eles", explicou. O secretário declarou que a versão final do kit ficou pronta há poucos dias. Apesar de toda a pressão que o MEC tem sofrido por parte das bancadas conservadoras, que têm feito forte lobby contra o kit anti-homofobia, Meirelles garantiu que o material será distribuído.

Sobre as acusações de Bolsonaro e Anthony Garotinho (PR-RJ) de que o conteúdo do material é "pornográfico", Meirelles disse que não é verdade e que o kit será entregue aos professores e aos alunos do Ensino Médio (15 anos em diante). "A discussão sobre o kit foi antecipada. Nós iremos debatê-lo pubicamente quando ele estiver pronto. Mas,a decisão política de lançar o kit e distribuir está tomada", finalizou o secretário.

Angélica Ivo
Fora dos momentos de tensão causados pelos parlamentares fundamentalistas, quem esteve presente na segunda parte do VIII Seminário LGBT se emocionou e chorou com o depoimento de Angélica Ivo, que aderiu à luta política após ter o seu filho Alexandre Ivo, 14, sequestrado, torturado e estrangulado por um grupo de rapazes declaradamente homofóbicos.

Angélica disse que tentaria não "chorar", mas não conseguiu. Ela se emocionou quando começou a relatar a maneira como arrancaram a vida de seu filho e lamentou o fato de que Alexandre "não teve a oportunidade de refletir sobre a sua orientação sexual". "Esse direito lhe foi retirado com a morte", falou.

"O meu filho foi assassinado por três rapazes da classe média, cada um tem um advogado, mas eu não vou descansar enquanto não fizer justiça. E é por isso que estou aqui, pois o meu filho é a prova, infelizmente, de que a homofobia mata de fato", continuou.

A plateia se levantou e emocionada aplaudiu Angélica por mais de cinco minutos.

Vigília
Na terça-feira (17), também aconteceu a Vigília Ecumênica contra a Homofobia, no Pátio da Biblioteca Nacional. Sob a curadoria da ativista lésbica Jandira Queiroz, em parceria com grupos da América Latina, foram exibidas no muro da biblioteca imagens de militantes de várias nacionalidades pedindo a aprovação do PLC 122, que visa criminalizar a homofobia em todo o Brasil.

A seguir, veja fotos do ato ecumênico e do VIII Seminário LGBT.


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