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Casal gay agredido se soma a uma série de ataques homofóbicos na cidade de São Paulo

Na madrugada da última sexta-feira (30) mais uma agressão homofóbica aconteceu na cidade de São Paulo, somando-se a outras agressões motivadas pela intolerância em localidades do Brasil. O que choca é que entre os casos há pelo menos dois casos de heterossexuais que foram agredidos por serem confundidos com homossexuais. Não precisa ser gay para apanhar, levantar suspeita também tem sido o suficiente para aumentar a porcentagem de pessoas agredidas, quando não assassinadas.

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Marcos Villa, 32, e seu namorado estavam no bar Sonique com duas amigas, quando dois rapazes começaram a mexer com as garotas. Incomodados, o casal resolveu deixar o local. Já na rua, foram até um posto de conveniência, quando os mesmos rapazes apareceram e continuaram a provocar o os dois e as garotas.

O namorado de Villa tentou reverter a situação conversando com os rapazes, mas não adiantou. O casal acabou sendo fortemente agredidos. Em entrevista ao UOL, uma das vítimas relatou que pensou que fosse morrer. O rapaz desmaiou durante a agressão e teve a perna quebrada.

O episódio aconteceu na região da Avenida Paulista, próximo ao restaurante Mestiço. O namorado de Marcos também relatou que durante a agressão os dois rapazes diziam que "viado passa doença" e "que essa raça tem que morrer". O casal registrou o caso e a Policia Civil vai utilizar imagens de câmeras de imóveis próximos ao local onde aconteceu a agressão para identificar os agressores.

São Paulo, uma cidade homofóbica?
A agressão homofóbica ocorrida neste último final de semana chama à atenção pelo fato do local onde aconteceu. A região dos Jardins, que envolve as ruas Frei Caneca, Augusta, mais a Avenida Paulista, ou seja, locais considerados gay friendly e de forte vivencia gay, tem sido palco dos principais e mais recentes ataques que se tem notícia.

O número de pessoas agredidas por motivos de intolerância avançou tanto que é possível traçar uma cronologia com a série de ataques que o citado trecho na reportagem foi palco. Em novembro de 2010, três jovens foram agredidos com lâmpadas fluorescentes por quatro adolescentes com idade entre 17 e 19 anos. O menor de idade está internado na Casa Fundação. Já o maior de idade, Jonathan Lauton Domingues,19, teve prisão preventiva decretada, mas está foragido.

Ainda em novembro, duas garotas foram agredidas por um grupo com mais de cinco pessoas por trocarem um beijo na rua Augusta. Uma das garotas foi derrubada no chão e levou chutes na cabeça. Neste caso, os agressores não foram identificados. No começo deste ano seria a vez do estudante Guilherme Rodrigues, 23, ser vitima de agressão. Em contexto muito parecido com o de Marcos e de seu namorado, Rodrigues foi provocado por um grupo de rapazes que passava pela rua Augusta e respondeu às provocações, quando foi espancado pelos jovens.

A Polícia Militar deu flagrante no caso e todos foram parar na delegacia. Porém, o delegado de plantão se recusou a fazer Boletim de Ocorrência (B.O) com agressão motivada por homofobia, registrou apenas como agressão comum. Além de tudo, os agressores provocaram Guilherme na frente de policiais que nada fizeram. Para piorar, liberaram os agressores e a vítima juntos. O estudante pediu escolta, lhe foi negada.

Como não se bastasse, em agosto deste ano dois amigos foram agredidos na Avenida Paulista por parecerem um casal gay. Trata-se de Bruno Chiaroni Thomé, 33, e Rafael Ramos, 30, ambos arquitetos. Os amigos caminhavam em direção à Av. Paulista, quando Thomé levou uma pedrada na cabeça. Ao questionarem o motivo da agressão, os dois amigos foram cercados por seis rapazes que começaram a agredi-los e a xingá-los de "viadinhos".

O veto ao Kit Escola Sem Homofobia e o avanço dos fascistas
Muita gente aponta o veto do governo federal ao "Kit Escola Sem Homofobia" como o inicio de uma onda fundamentalista e homofóbica. Por conta de um lobby da bancada fundamentalista, que à época ameaçou o governo Dilma com uma convocação do ex-ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, o Kit e o ministro caíram. Os fundamentalistas e seu discurso de ódio venceram.

Com isso, grupos obscurantistas e fascistas se encorajaram e foram às ruas. Em abril deste ano, grupos fascistas realizaram uma marcha no vão do MASP, localizado na Avenida Paulista, em apoio ao deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ). Defenderam a "família" e protestaram contra uma "onda de privilégios às minorias sexuais".

Antes dos fascistas, a Ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, esteve na cidade de São Paulo para lançar a campanha "Faça do Brasil Um Território Livre da Homofobia" e participar da Marcha Contra a Homofobia. Porém, ações de combate a homofobia ainda não são prioridades do governo Federal e tudo fica no âmbito das idéias e intenções.

Quando localizamos a questão do combate a homofobia na cidade de São Paulo a perspectiva também não é animadora. Desde 2008 que há um Plano Municipal de Combate a Homofobia, que até hoje não foi aplicado. Enquanto o saldo de agressões homofóbicas só faz crescer.

Todas as agressões aqui relatadas possuem um mesmo caráter: os agressores não são skinheads, são da classe média e transitam por espaços gays. O "Kit Escola Sem Homofobia" atuaria na formação destes jovens, mas segue vetado. Os fundamentalistas seguem com apoio e espaço nos governos da cidade de São Paulo, do Estado paulista e também em Brasília. O veto referendou o discurso dessa ala e segue influenciando jovens.

No ano que vem teremos eleições para prefeitos e vereadores. Há dois caminhos: podemos mais uma vez assistir os conservadores e fundamentalistas darem o tom da campanha, assim como fizeram na eleição presidencial, e a questão gay ficar invisível, ou, o contrário disso, um debate progressista, que parece pouco provável. Ainda mais com a perspectiva de termos o ministro da educação, Fernando Haddad (PT-SP), como um dos candidatos à prefeitura da cidade de São Paulo. A pergunta que fica é: cadê o plano de combate a homofobia nas escolas do Brasil? O ministro ainda deve uma resposta.


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