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Destaques GLS: Evite a “nordestinofobia” durante a Parada Gay de São Paulo

"Os nordestinos estão chegando" se tornou um sussurro mais sonoro com a proximidade da Parada Gay de São Paulo, no próximo dia 14, tomara um domingo quente.

Em SP, há uma turma numerosa que curte a diversidade nos relacionamentos, sem preconceito com a origem do parceiro. Com os sites de relacionamento e as comunidades virtuais, a interação entre internautas de diferentes regiões se tornou mais frequente e intensa, favorecendo o surgimento de namoros e fortes relações de amizade.

Para outros, namorar um nordestino faz parte de uma "cota étnica", uma experiência cultural, mas em muitos casos quem hospeda consegue enxergar o preconceito. Infelizmente, o migrante sempre terá de redobrar esforços para driblar imagens e expectativas contaminadas pelos séculos de discriminação.

Aspas coletadas sobre quem "curte nordestinos" (há até comunidade no Orkut): Eles beijam com paixão, fazem "dicomforça", eles têm marca de sunga, os olhos são sonhadores e ingênuos, eles aceitam críticas, mas são orgulhosos, eles dizem "eu te amo" mais rápido.

Evidente que o que ouvimos nos points GLS da cidade sempre carrega uma dose opinativa, individual e de exagerada força de expressão, desconsiderando as singularidades dos indivíduos e a mania de "generalizar".

A etiqueta urbana vigente recomenda: nunca discrimine um nordestino, em público, diga-se, porque na intimidade, até nordestinos se discriminam. Nem todos seguem a regra de respeitar suas visitas. Que o diga quem pichou "odeio nordestinos" na fachada de uma hospedaria, na região central de São Paulo.

Fui tentar descobrir o enigma. Atualmente, a mídia brasileira voltou a explorar o medo da ação de neonazistas, afinal, crise econômica reacende extremismos nacionalistas, puristas e ultraconservadores.

Surpresa: a pichação de "nordestinofobia" tinha como pano de fundo um motivo estúpido, um estresse de moradores do bairro com o som elevado de carros estacionados no quarteirão da hospedaria tocando forró, nas manhãs de sábado e domingo.

O que é um traço cultural sem noção em alguns grupos do Nordeste (beber e reunir-se com os amigos em clima de festa) é visto, com razão, como uma terrível violação à lei do silêncio, em uma cidade onde o barulho é infernal e quase todo mundo tem problemas com o sono.

                          

Onde descolar "comida nordestina"
Quer uma comidinha nordestina durante a semana da Parada Gay de São Paulo? Confira alguns points do nordestino gourmet:

Cordel
É o restaurante nordestino com padrão tipicamente paulistano (uma decoração low, integrada, caprichada, um atendimento sóbrio, executivo). Fica no burburinho da Vila Madalena (rua Aspicuelta, 471, Vila Madalena), cercado de opções de gastronomia, bares e lojinhas. O cardápio tenta assumir um tom "pernambucano", mas fica a impressão de ser uma cozinha contemporânea pincelada com ingredientes nordestinos, sem excessos. Há espaço para saladas e entradinhas que valem uma refeição. Ideal para reuniões mais formais, em que o ambiente não vai roubar tanto atenção. Lado negativo: região de preços abusivos de estacionamento, sem metrô perto.
Site: http://www.cordeldavila.com.br
 
Rota do Acarajé
Foi onde o ator Danny Glover comeu em São Paulo quando estava filmando "O Ensaio sobre a Cegueira". É o que os novos fãs do local geralmente dizem, mas quem conheceu o Rota quando era só uma garagem sabe que a visita de uma celebridade não é o mais importante do lugar. Bom e barato. Os pratos servem bem. É o lugar mais seguro no centro para se comer baião-de-dois e quitutes baianos. Os ingredientes de acarajés e vatapás são selecionados, o restaurante tem uma clientela muito fiel e antiga, friendly. Sentar na mesa da calçada e conversar com os amigos é uma boa experiência. O serviço pode ser demorado, mas eles já avisam. Precisa melhorar as sobremesas e algumas cadeiras. O metrô mais próximo é o Santa Cecília (rua Martim Francisco, 529/533), shopping mais próximo, Higienópolis.
Site: http://www.rotadoacaraje.com.br

Mocotó: os críticos gastronômicos pagam o maior pau por este restaurante. O dono é um chef com pinta de galã. O cardápio é básico (o Mangai, de João Pessoa, dá de 10 a zero), com destaque para caldo de mocotó, favada, atolado de bode. A carta de cachaças é rica. A decoração é típica, meio padrão churrascaria, com preços menores do que nos Jardins. Há filas enormes no almoço do final de semana. Público hétero é dominante, com ambiente de bairro da periferia. A localização ("Avenida Nossa Senhora do Loreto, 1.100, Vila Medeiros, zona norte é um problema para quem está na Paulista ou centro. Estação de metrô mais próxima é Tucuruvi, onde há ônibus que passa por lá. Táxi do metrô: R$ 10.
Sites: http://www.mocoto.com.br, http://www.mangai.com.br

Biu
O Biu (rua Cardeal Arcoverde, 776) é um restaurante caseiro muito conceituada na região de Pinheiros. Na entrada, os homens bebem bastante no balcão, compram cigarros, dão uma olhada no jogo de futebol na TV. Dentro, mesas e cadeiras em dois ambientes servem para os clássicos da cozinha nordestina. Os quadros da decoração lembram feiras do interior, com imagens antigas vendidas por mascates, de porta em porta, também conhecidos como "galegos". Só vá ao Biu no dia em que você decidir fugir drasticamente da dieta ou comer pela última vez na vida. Os pratos capricham na manteiga, na gordura, no estilo "encher o prato". Universitários barbudos e lariqueiros adoram.

Rancho Nordestino
É uma casa legítima de comida nordestina. Fica no Bixiga (rua Manoel Dutra, 498), bairro com muitos moradores da região, além de um endereço tradicional de cantinas italianas (comunidade que criou o bairro). No balcão, doces e rapaduras expostos como em um mercado. A decoração é sertaneja, com garrafas de cachaça penduradas no teto, desenhos artesanais nas paredes. O cardápio é abrangente nos pratos, considerando as diferenças entre os nove Estados da região. O atendimento é descontraído, brincalhão até, dependendo do humor do cliente. Os pratos são mais baratos do que em restaurantes turísticos.

O autor deste texto se declara cearense, vítima de insônia (em tratamento), morador da região do fato relatado há quase 10 anos, amante do grafite, não à pichação.

* Sérgio Ripardo é jornalista e autor do "Guia GLS SP" (Publifolha). Fale com ele: http://sergio.ripardo.blog.uol.com.br/.


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