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Destaques GLS: São Paulo inspira Parada com tom “Milk”

A parada "morreu", todos acreditaram, finalmente. Não é mais notícia com "n" maiúsculo. É coisa do passado. Simbolicamente se resume a uma imagem aérea de multidão. Todos gritam. Todos (?) reivindicam. Mas os slogans são batidos. Os temas se confundem pela repetição ano a ano. Xô, homofobia, mas esquecemos de comparar (e cobrar) o que mudou efetivamente.

Não há mais transgressão em sair do armário. Qualquer big brother já faz isso de graça mesmo. Até os héteros agora contam aventuras com o mesmo sexo, num golpe manjadíssimo de marketing fuleiro. O mundo sofre uma overdose de mensagens gays, diretas ou indiretas. Não se pode reclamar que o assunto não está sendo acompanhado e debatido, que a estética gay domina.

Os avanços precisam ser comemorados. Precisamos de militantes mais jovens, estamos perdendo o contato com a realidade. Na internet, alguns blogueiros gays brasileiros amadureceram seu conteúdo, criaram fortes laços de amizade e mobilização, num espírito revigorado pelos apelos dos veteranos para um despertar crítico ou ao modismo politicamente correto, na onda do tocante "Milk", filme de Gus Van Saint.

Estamos ainda surpresos com a infinidade de possibilidades de viver numa comunidade estilhaçada de grupos e divergências maiores ainda. Não sabemos tirar proveito de nossos encontros. Ainda somos provincianos e guiados docilmente pela cultura dos colonizadores. Esbarramos nas mesquinharias, nas vaidades e vingancinhas, no jogo barato de puta de esquina. Falta ambição combinada com boas e novas ideias, além do profissionalismo. A opressão gay persiste nas estatísticas de violência, principalmente contra a comunidade transex batalhadora. Vamos incentivar a autoestima de todos.

Nossos maiores talentos e estrelas envelheceram, alguns bem, outros mal, sem falar nos esquecidos e injustiçados. Aproveitamos ainda muito mal a tecnologia da internet. Ainda temos medo de mostrar a riqueza dos regionalismos ou fazemos isso de uma forma caricaturada, num tique de nossos antepassados. Precisamos enfrentar esses condicionamentos de forma mais clara e inteligente, sem mágoas, remorsos ou culpas.

Ainda somos superficiais, porque nossa identidade é muito difusa. Não podemos chocar nem ameaçar, isso é fato comprovado. Não podemos também prometer a perfeição, algo que só nos cria estresse. Temos direito sim a adotar uma criança, a dividir nossos bens com nossos companheiros, a conviver pacificamente e com dignidade, sem exigências de figurinos, sem piadinhas sobre nosso timbre de voz, trejeitos ou sotaques.

Queremos ser representados em todas as esferas de poder e solidariedade. Buscamos posições de destaque, não aceitamos migalhas para preencher cotas. Usamos o humor (até altas doses ferinas, que podem funcionar como testes para apurar a recepctividade da platéia) para demarcar nosso território e socializar nossos recadinhos.

A senhora do café já não nos entrega sempre a xícara mais fria. A calculista publicidade já nos usa como isca. Quer avacalhar ainda mais? Já há disputa de egos sobre quem é o partido mais friendly do Brasil ou, entre lolitos da Globo, quem estampará a próxima capa das revistas gays? Se isso já chegou nos grotões é porque se institucionalizou um mínimo de respeito às diferenças.

Oba, viramos moeda política numa intrigante corrida presidencial…Queremos ver candidato pedindo voto dentro da boate gay, em todo o lugar em que tiver um grupo LGBT instalado.

Nossos desafios: dominar logo o calendário de eventos turísticos do ano, criar atrações com apelo de público como a parada para outros meses do ano. Por que não temos uma olímpiada gay? Por que não aproveitamos grupos (até de drags jogadoras de futebol), reunimos esse povo todo, numa competição de estímulo ao esporte. Por que não criamos um grande evento religioso reunindo as diferentes igrejas inclusivas do país?

Os mercados GLS nas cidades querem se conectar, criar mais parcerias, articular iniciativas nacionais, em todas as áreas. Mesmo em SP, não temos durante a semana da parada factóides básicos, como um concurso de gatos e cachorros, não tem uma feira leather, absolutamente os segmentos que exploram o nicho GLS sofrem de complexo de inferioridade ou desinteresse típico de quem vai morrer como empresa de fundo de quintal. Os turistas já estão reclamando do déjà vu nos circuitos e atrações.

O orgulho de ser gay se enfiou em nosso cotidiano irreversivelmente. Temos de respirar agora aliviados. As próximas batalhas são apenas para cumprir a tabela do campeonato, mostrar para a mídia, registro histórico no Google, mas não podemos economizar esforços para ganhar tempo. Na vida real, isso já está bem encaminhado. Ok, somos gays, não temos mais tanta vergonha como na época de nossos pais, mas além de expressar nossas dúvidas sobre a sexualidade, o que mais podemos fazer para tornar a vida mais suportável?

E esse é o recado da coluna. Boa parada para todos.

* Sérgio Ripardo é jornalista e autor do "Guia GLS SP" (Publifolha). Fale com ele: http://sergio.ripardo.blog.uol.com.br/.

Foto: Daia Oliver


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