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Jessica Tauane diz que “muitos gays são misóginos” para reafirmar sexualidade

Se você tem Facebook e amigos LGBT, certamente já reparou que muitos deles e delas estão mudando a foto do perfil para o filtro com o triângulo invertido e os símbolos do gênero feminino nos últimos dias. Pois se trata de uma campanha para o Dia da Visibilidade Lésbica, comemorado neste sábado (29).

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A data se originou do primeiro Seminário Nacional de Lésbicas – Senale – que ocorreu em 1996 no Rio de Janeiro. E que visava discutir ações para a cidadania plena de mulheres que se relacionam com outras mulheres.

Com o foco na comundade lésbica, muitas dúvidas e apontamentos surgem de conservadores e da própria comunidade LGBT: Será mesmo que é necessário se atentar a apensa uma letra da sopa de letrinhas? Será que lésbicas sofrem mais ou menos preconceito que gays? É importante mesmo frisar a palavra "lesbofobia" no discurso?

Para responder a tudo isso, o A CAPA conversou com a comunicóloga Jessica Tauane, de 24 anos. Ela faz sucesso na web Canal das Bee – um videoblog que aborda questões da comunidade LGBT e soma mais de 200 vídeos – e participa de diversos encontros para se discutir diversidade. Abaixo, uma proza importante:

– No Dia da Visibilidade Lésbica, quais são os assuntos e reflexões que o grupo quer dar visibilidade atualmente?

Queremos falar que, além de sofrermos lesbofobia, a lésbicas tão sofrem preconceito pelo fato de serem mulheres. É claro que o gay também sofre com o machismo por muitas vezes renegarem o padrão masculino, mas nós sofremos este machismo de uma forma sistemática e violenta. É uma misoginia em nível hard. Isso ocorre porque a mulher na história nunca pode ser o agente do desejo e da vida, ela sempre foi encarada como propriedade do pai e do marido. E quando a mulher subverte isso e deseja outra mulher, ela é encarada de maneiras ainda mais preconceituosas. Por exemplo: ela vira vítima do fetiche de homens héteros e de casais héteros cis, que usam o afeto entre mulheres para o consumo próprio. Como se nós estivéssemos à sombra do homem, o que não é verdade.

– Você acredita que muitas pessoas não levam o relacionamento entre mulheres a sério? Ainda hoje se assustam quando veem uma mulher sexualizada e preocupada com o próprio prazer, sem a presença de um homem?

Enquanto a mulher não demonstra o seu desejo, seja ele qual for, está tudo ok para as pessoas. A partir do momento em que ela demonstra que é um ser sexual, que gosta de gozar, aí as pessoas se assustam. E tem um agravante que ocorre com as lésbicas cis: ela sofre exatamente com o falocentrismo, porque a vagina ainda é vista como algo sujo, nojento "e, se puder, nem olha muito para ela". Eu fui olhar a minha vagina depois de adulta e só 30% das minhas amigas se masturbam. Dizem: "Como assim, vagina com vagina?", "Não tem sexo, fica na preliminar", "precisa de um pênis". E isso é mentira, pois a gente se diverte, é completa, é feliz no sexo sem precisar de um pênis e nem necessariamente de brinquedos.

– Recentemente vocês publicaram um vídeo de lésbicas assistindo a um filme pornô gay. Esta foi uma resposta de um vídeo de gays assistindo filmes pornôs lésbicos e derrapando na misoginia?

Não foi algo pessoal, até porque eu acredito que eles fizeram o vídeo sem saber que estavam sendo preconceituosos. Até porque a sociedade martela tudo isso na nossa cabeça e muitos gays acabam sendo misóginos sem saber. Muitos gays querem reafirmar a sua sexualidade e acabam execrando tudo o que é feminino. Muitos são misóginos para reafirmar a sexualidade.  "Ai, vagina, que nojo", "é fedida", "fiz nasci de cezária para nem passar por perto". É claro que ficamos incomodadas, pois não cheiramos a bacalhau e não queremos ser tratadas assim. Fizemos um vídeo para mostrar que não é preciso execrar o outro para falar da própria sexualidade.

– Como você avalia a voz da mulher lésbica nos eventos, debates e rodas LGBT que você participa?

Fica bem evidente que os meninos têm mais credibilidade na fala e que eles ainda têm um poder de silenciamento muito grande. Ou seja, eles interrompem, são impacientes e não demonstram interesse quando a pauta não fala sobre eles. Não são todos, claro. Mas a cultura patriarcal e misógina que a gente vive pode ser vista em qualquer lugar.

– Você defende o uso da palavra "lesbofobia" ao invés de focar apenas em "homofobia"? Para quê um novo termo sendo que todos são homossexuais?

Eu defendo, porque a gente ainda vê muitos casos de lesbofobia praticados por gays cis. E eles dizem: "Eu sou homossexual, como posso ser homofóbico?". É importante mostrar que este preconceito vem com um peso a mais pelo fato de sermos mulheres numa sociedade patriarcal. Há várias diferenças entre os preconceitos sofridos. Vai desde o estupro corretivo, que muitos homens praticam porque acham que ela só é lésbica porque "não foi pega de jeito", até as questões de estereótipos. Muita gente diz, por exemplo, que a lésbica quer casar no segundo encontro e ter um gato, enquanto o gay tem a liberdade da pegação, da balada. Ou seja, isso é cair naquele papel de submissão, que mulher tem que ficar em casa.

– Bom, conheço os leitores e muitos vão dizer: "Gays sofrem mais preconceito que lésbicas, tendo em vista que dois homens se beijando choca e gera mais reação negativa que duas mulheres". O que pensa sobre isso?

Primeiro que acho que a gente não pode focar no "sofremômetro" ou na gincana da opressão, pois este é um debate tendencioso. Todo mundo sofre, mas de maneiras diferentes e paralelas. Os dois meninos se beijando e apanhando é uma opressão. As duas meninas se beijando, e o cara achar que pode se masturbar vendo, interromper e falar que quer participar, também é uma opressão muito forte. As pessoas a todo o momento dizem que falta um agente ali, que são só duas receptoras, que falta um… Homem! São opressões diferentes: uma é física e a outra é uma violência psicológica, que muitas vezes pode ser física. E as duas desumaniza as pessoas.

– Meio improdutivo esse embate de descobrir quem é mais oprimido, né?

O mais importante é nos unir, ter consciência do preconceito de cada um e lutar contra todas essas opressões.

– O que acha da representatividade lésbica na mídia?

Não existe, né? Apesar de o primeiro beijo ter sido dado por mulheres, vejo emergir vários programas e personagens gays cis. Já lésbica é sempre a gente boa, malandrona, sem muita variação. Acho que este recorte existe porque na artes existem muito gay: ator gay, roteirista gay, escritor gay… O Vai que Cola (do Multishow) colocou a Tatá Werneck para fazer uma lésbica estranhíssima, por exemplo. O que eu acho positivo são as séries americanas, como The L World, Orange is the New Black…

– Mas esta novela das 21h, Babilônia, trouxe um casal de senhoras lésbicas. Acha que a grande mídia ajuda nesta visibilidade?

Não estou acompanhando a novela, mas sei que eles ficaram com medo de mostrar outros beijos. E, neste caso, entra o recorte capitalista. A representação na mídia ajuda, mas ela não vai ser a salvação. Eles sempre vão ter o rabo preso com alguma coisa e o que deve prevalecer é o dinheiro. Por exemplo, vi muita gente aplaudindo a campanha dO Boticário com gays e lésbicas. Mas o mercado publicitário não dá ponto sem nó. Eles só lançaram a campanha porque sabiam o que ia dar, com muitas análises e pesquisas. Ou seja, a nossa redenção não vai vir de quem detém este poder, por quem está tirando proveito econômico dali. O cara está fazendo pelo dinheiro, não pelo LGBT. A revolução ocorre pelo movimento social, brigando na política, no trabalho de mídias alternativas…

– Daniel Mercury, Maria Gadú… Você se sente bem representada?

A Daniela é bissexual, não tem o perfil ativista, mas tem trazido bem a pauta. Ela tem boa vontade, coragem e verdade. A Maria Gadú nunca falou muito, sei que ela casou com uma mulher, mas não fala. Fora do Brasil, a minha referência é a Ellen DeGeneres, mas não vejo ninguém que possa dizer que me representa aqui. Tinha a Vange Leonel, que faleceu… Ah! A Ellen Oléria (vencedora do The Voice). Lembro que a primeira matéria que li sobre ela foi: "Eu posso falar desse lugar: mulher, negra, gorda e lésbica". Pensei: "Que mulher sensacional".

– Vi um comentário da jornalista Melissa de Miranda, que foi entrevistada por você no Canal, que muitas mulheres que poderiam ser definidas "lésbicas" evitam a palavra. Elas dizem que são "gays" ou criam outros nomes para falar sobre seus relacionamentos com mulheres. Esse medo de usar a palavra "lésbica" sempre rolou ou é algo novo?

Sempre rolou. A palavra lésbica vem carregada de um significado ruim e assusta muita gente. De marginalidade, algo forte… E a gente tem feito um trabalho de se firmar como lésbica. Agora, é complicado ficar metendo o bedelho em como a pessoa se define, pois é algo pessoal e cada um tem o seu tempo. O que a gente faz é, ao ver que a pessoa se define "gay" para evitar a palavra lésbica, pois acha que ela assusta, conversar e explicar: "Amiga, vamos reafirmar a identidade lésbica, pois a gente também deve ter orgulho de falar que somos lésbicas". Existe o orgulho gay e também queremos o orgulho lésbico. Estamos no caminho…

– De qual maneira você sente que o trabalho no Canal das Bee repercute e ajuda a comunidade LGBT?

Ai, de diversas maneiras e com diversos relatos. Desde gente que mostrou o vídeo para a mãe e a relação melhorou em casa, até uma angolana dizendo que ela e os amigos estão usando o canal para se empoderarem e terem coragem de sair de casa. A gente faz um trabalho legal, que muitas vezes ocorre atrás das câmeras. Ajudamos muitos jovens que foram expulsos de casa, mas neste caso temos uma psicóloga junto com a gente. O alcance é imenso.

– Qual é o recado que você gostaria de dar para as lésbicas? E para os homens gays e bissexuais?

Para as lésbicas: empoderem-se o máximo possível, vamos ajudar uma a outra, vamos nos unir e vamos nos organizar. Já para os homens gays e bi, eu digo: Tenham empatia, vocês não são os reis do mundo. Essa coisa de gay só anda com gay, e lésbica só anda com lésbica, é uma balela. Tenho muito amigos gays e sei que descobrimos muita coisa legal nesta relação. Enfim, menos carão e mais carinho.

Quem quiser usar o filtro da visibilidade lésbica pode fazer a mudança clicando aqui. E quem quiser conferir todos os vídeos do Canal das Bee basta clicar aqui


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