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Realidade mostra que diversidade sexual vai muito além da sigla GLBT

Há algumas décadas, os homossexuais lutavam para ser considerados normais. Depois, foi a vez dos bissexuais pedirem para serem reconhecidos. Hoje, em boa parte da sociedade, aceitam-se três orientações sexuais possíveis: homossexuais, heterossexuais ou bissexuais. No entanto, a variedade de práticas sexuais tem mostrado que há muito mais combinações por aí. Essa história de só gay, só hétero ou só bi, já era. Será esse o fim dos GLBTs ou, ao contrário, o alargamento para outras formas de vivência da sexualidade, muito além da sopa de letrinhas? Na redação, não conseguimos responder. A dificuldade de se entender a fragilidade do limite entre o que é ser gay, hétero ou bi assustou até mesmo o fotógrafo de nossa capa. "Vamos mostrar que são possibilidades dentro de um leque ou que são conceitos que não se aplicam mais?", perguntou Ricardo Schetty antes de sugerir temas para as imagens. A confusão se deve, em grande parte, à visibilidade adquirida nas últimas décadas pelos GLBTs, que colocou em evidência formas de relacionamento antes escondidas. Ou seja, se antes as pessoas tinham medo de se declararem homossexuais, muito mais assustador era comentar que, apesar de gay, sentia vontade de sair com mulheres esporadicamente. 50 anos de Kinsey Em 1948, o pesquisador americano Alfred Kinsey criou uma escala para medir a intensidade homossexual de cada um. Começando com 0 para heterossexual absoluto e indo até 6 para totalmente gay, a escala contempla variações bissexuais. Aquele que sente desejo de maneira igual por homens e mulheres recebe um 3. Na prática, as coisas não funcionam tão facilmente assim. "A pop star Madonna, quase sempre heterossexual, já disse ter tido amantes lésbicas por diversão. Ela então é bissexual. Ou não? Qual a verdade? Qual a demarcação entre a heterossexualidade intermitente e a bissexualidade sazonal? Quando uma hétero habitual se envolve emocional e fisicamente com outra mulher, ela é bissexual?", pergunta Vange Leonel em sua coluna na Revista da Folha de 4 de fevereiro deste ano. "Não é porque você come salada no almoço que pode ser chamado de vegetariano", brinca o escritor e roteirista Stevan Lekitsch. "A humanidade está chegando a um ponto em que todo mundo está livre para experimentar o que quer. Não sou da opinião de que hétero que faz sexo com outros homens é gay. Penso que hétero que faz é hétero que tem experiências com outro homem". Para Suzy Capó, diretora do Festival Mix Brasil, homo, hétero e bi são categorias que estão em fase de questionamento. "A identidade não é uma coisa fixa. Essas são classificações que foram construídas historicamente, mas mudanças estão ocorrendo em vários níveis". Suzy lembra o caso de um amigo, o diretor alemão Kristian Petersen, que realizou em Berlim o projeto "Fucking Different", no qual gays falavam sobre lésbicas e vice-versa. "Quando ele quis levar o projeto para Nova York foi super complicado porque essas categorias não serviam. Estamos em um momento de transição, de questionamento, e é complicado se definir". Patrulha gay Stevan, Vange e Suzy fazem coro ao dizer que há mais orientações sexuais que as três clássicas. Essa também é a opinião de Julian Rodrigues, do Setorial Nacional GLBT do Partido dos Trabalhadores. “Na verdade, estamos ainda muito acostumados com padrões binários ao considerar a sexualidade humana". Ou seja, aceitamos gostar do oposto, gostar do mesmo ou gostar dos dois. "Quando se pensa em bissexuais, as pessoas pensam em alguém que goste igualmente dos dois gêneros. E não é assim. Bissexuais podem desejar e praticar mais a homo ou a heterossexualidade. Dificilmente teria alguém 50% hétero e 50% homo". Para Julian, se a heteronormatividade não fosse tão presente em nossa sociedade, muito mais pessoas se deixariam levar por eventuais desejos homossexuais. "Se tivéssemos outro tipo de sociedade, as pessoas poderiam exercitar mais livremente seu desejo, sem tanto preconceito ou patrulha". Da mesma forma, gays e lésbicas sentem-se pressionados para assumir sua identidade e pode ser incômodo admitir que também tenham desejos héteros. "Quantos de nós já fomos patrulhados por amigos porque manifestamos desejos, até beijamos e transamos com mulheres? Isso não mudaria nossa identidade gay ou nosso desejo e práticas predominantemente homo. Mas, não é uma coisa geralmente bem vista, na comunidade GLBT", diz Julian. "Por outro lado, se o preconceito não nos levasse tão fortemente a necessidade de reafirmar sempre nossa identidade gay, talvez, alguns gays e algumas lésbicas não se fechassem a, eventualmente, ter experiências heterossexuais." Héteros que fazem O publicitário Henrique Oliveira gosta de sair com mulheres e afirma sentir muito tesão por elas. Mas, eventualmente, ele sai com homens. "É sexo, apenas isso", explica. "É uma forma de gozar e que não interfere na minha sexualidade como um todo", completa o rapaz que só se relaciona com gays que saibam onde estão pisando. Ou seja, gays que nem pensem em se envolver sentimentalmente com Henrique. Apesar de assumir que se relaciona com homens, Henrique explique que o envolvimento é diferente. "Gosto de explorar o corpo da mulher. Com homens, sou mais frio”. Henrique diz preferir ser ativo durante a relação, mas não se recusa a pegar o parceiro com mais vontade. “Só não dou beijo na boca espontaneamente porque não gosto, mas se pedir, leva”. Na Europa, o sociólogo Daniel Welzer-Lang verificou, por meio de uma extensa pesquisa, que 61,1% dos héteros já consideraram a possibilidade de fazer sexo com outros homens e 27,8% chegam até a fantasiar a experiência. O resultado está no livro "Os homens também mudam" (Editora Payot). Para Vange, o foco da questão é outro. "O fato é que há mais orientações do que essas três ‘normais’. Há mais nuances, lances e sinais trocados do que estamos acostumados. O enlevo, o beijo e o sexo são fluidos, desconexos e dúbios. Quem hoje é bi amanhã pode ser hexa ou tri. Triste é não seguir o fluxo do gosto e do desejo". Transitando entre os gêneros A discussão se complica ainda mais quando, além da orientação sexual, misturam-se as identidades de gênero. Consulte seus amigos e tente responder: quem gosta de travesti é o quê? hétero, homo ou bi? Para as trans que se assumem como femininas, claro que seus parceiros são héteros – e não ouse dizer o contrário. É esse o caso do carioca Leonardo Souza. Ele sai com o consentimento de sua esposa à procura de suas "menininhas", homens casados que gostam de usar calcinhas. "Sempre gostamos de troca de casais. Até que um dia, com um casal que a gente saía, a esposa falou ‘hoje, você vai conhecer a Carlinha’. Daí, apareceu o marido de calcinha e eu fiquei louco". Como ficam essas sexualidades múltiplas na hora de terem de escolher se são gays, héteros ou bi? A prática adotada pelas Ongs e institutos de pesquisa é aceitar o que a pessoa declara ser. No entanto, em muitos casos a declaração parece apenas uma tentativa de se enquadrar no padrão binário estabelecido. Inversão de papéis Outra subversiva em questão de gêneros é a assistente social Luciene Rebello. Ela se assume como bissexual e gosta de uma prática diferente: a inversão de papéis. Ou seja, age sexualmente com o papel esperado de um homem, não de uma mulher bonita e vaidosa como ela é no contato social. "Quando pratico inversão de papéis, busco prazer. E para quem? Para ambos! Eu também sinto muito prazer, quando estou sendo ‘ativa’. E tal sensação não é um princípio da transexualidade: sou uma pessoa muito empática, e quando penetro a pessoa com quem estou me relacionando, mentalizo estar sentindo as


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